Triângulo das Bermudas; casos e mistérios

O Triângulo das Bermudas é um triângulo imaginário formado entre o arquipélago das Bermudas, o estado da Flórida nos Estados Unidos e a cidade de San Juan, em Porto Rico. Esse triângulo cobre uma área de aproximadamente 1.3 milhões de quilômetros quadrados.

No local, desaparecem até hoje centenas de barcos e aviões, o que intriga muitas pessoas até hoje, que dedicam suas vidas a documentar os acontecimentos do local e a tentar resolver estes curiosos mistérios.

May, 2015. The fleet reach Burmuda Triangle during Leg 6 of the Volvo Ocean Race.

Inicialmente, o local foi conhecido como O Triângulo do Diabo, mas em 1964 o escritor sensacionalista Vincent Gaddis publicou um livro chamado Invisible Horizons: True Mysteries of the Sea (“Horizontes Invisíveis: os Verdadeiros Mistérios do Mar”), onde incluía um capítulo chamado “O Mortal Triângulo das Bermudas” e então o mundo começou a chamar o local como Triângulo das Bermudas.

Muitas pessoas já conheciam a fama do local de engolir navios e aviões, mas em 1974 é publicado o livro que fez o mundo inteiro ficar sabendo dele: O Triângulo das Bermudas de autoria de Charles Berlitz. O livro foi um verdadeiro bestseller e vendeu quase 20 milhões de cópias sendo publicado em 30 idiomas. Para se ter uma idéia, até hoje eu vendo ele em minha loja virtual, só que somente edições usadas, pois ele não é mais editado.

No livro, ele pegou alguns textos de Gaddis (o inventor do termo Triângulo das Bermudas) e recompilou alguns casos de desaparecimentos, misturados com falsidades, flagrantes e invenções, e apresentou algumas teorias para explicar os desaparecimentos, dando ênfase à teoria de que na verdade o local é um subproduto da destruição de Atlântida, a lendária ilha descrita por Platão. (Berlitz adorava o tema Atlântida e escreveu os famosos livros: Atlântida: O Oitavo Continente e O Mistério da Atlântida)

É claro que iriam lançar um livro refutando tudo o que ele dizia, assim como fizeram com Erik von Daniken, e coube ao escritor Larry Kusche fazer isso em 1975 com a publicação de The Bermuda Triangle Mystery—Solved. Nele Kusche aponta erros nos relatórios dos navios desaparecidos. O livro nunca foi publicado no Brasil. Posteriormente, Berlitz lançou outro livro sobre o Triângulo das Bermudas chamado Sem Deixar Vestígios (que também tenho à venda na minha loja), onde trás a tona muitos outros casos acontecidos no local. Ele diz no livro:

Desde que O Triângulo das Bermudas foi publicado, recebi milhares de cartas de leitores dos Estados Unidos e do mundo inteiro, bem como telefonemas nas mais diversas horas do dia e da noite. Mais da metade dessas mensagens era de indivíduos que tiveram, pessoalmente, experiências estranhas no Triângulo. Agora que meu livro tratara abertamente da questão, queriam comunicar suas experiências, antes alvo de tanta incredulidade e zombarias, a ponto de eles próprios começarem a acreditar que tinham sido produto da imaginação. Outros, com serviços prestados na marinha, na força aérea ou em companhias aéreas comerciais, foram advertidos para não discutir os incidentes por eles testemunhados. Nas palestras que proferi, desde a publicação do livro, na América do Norte e na Europa, quase invariavelmente algum ex-membro do exército ou da marinha mercante, sobrevivente de incidentes, dirigia-se à plateia, apresentando um relato extemporâneo de uma experiência que não pudera ser relatada antes.

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Alguns Casos Ocorridos

Pesquisadores rastrearam casos ocorridos no local até a época de Colombo, que relatou mau funcionamento de sua bússola e a presença de luzes emergindo do oceano! Mas tem gente que acredita que até os fenícios evitavam passar por lá, pois há registros de que eles temiam monstros que se moviam num oceano de algas. Hoje, há especialistas que vêem nisso uma indicação de que eles teriam chegado ao mar de Sargaços, área infestada de algas que se estende sobre o Triângulo.

Em 1790, o barco do espanhol Juan de Bermudez afundou na região, mas ele conseguiu chegar a uma ilha que chamaria de Bermudas, por causa de seu sobrenome. Como podem deduzir, ele batizou o arquipélago com seu nome.

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O USS Cyclops ancorado no rio Hudson em 3 de outubro de 1911

Durante a Primeira Guerra Mundial, o U.S.S. Cyclops servia na costa Leste dos EUA até 9 de janeiro de 1918. Ele havia sido designado para o Serviço de Transporte Naval. O Cyclops teria de viajar até o Brasil para reabastecer navios britânicos no Sul do oceano Atlântico. Ele partiu do Rio de Janeiro em 16 de fevereiro e, após uma rápida parada em Barbados, entre 3 e 4 de março, nunca mais foi visto. Todas as 306 pessoas, entre passageiros e tripulação, desapareceram sem deixar rastro.

São muitos os incidentes e eles vão de 200 a não mais de 1000 nos últimos 500 anos. Os primeiros relatos mais sistemáticos começam a ocorrer entre 1945 e 1950. Na página do Wikipédia você encontra uma lista cronológica de alguns dos desaparecimentos ocorridos no local.

Mas parece que a tecnologia dos navios e aviões está diminuindo o ritmo dos desaparecimentos, pois não existem muitos registros nas duas últimas décadas. Alguns dos poucos casos são:

1995: o barco a motor Jamanic K, desaparecido quando ia de Cape Haitian para Miami, em 20 de março.
1999: o barco a motor Genesis, que sumiu no caminho de Port of Spain, em Trinidad, para St. Vincent, em 21 de abril.
1999: Cessna 210, desapareceu do radar quando ia de Freeport a Nassau, em 14 de junho.

Voo 19; O caso mais emblemático do triângulo das bermudas

"TBF (Avengers) flying in formation over Norfolk, Va." Attributed to Lt. Comdr. Horace Bristol, September 1942

TBF (Avengers) voando em formação sobre Norfolk, Va, em Septembro 1942

Todos os documentários que você assistir sobre o Triângulo das Bermudas vai mostrar este caso, uma das ocorrências mais documentadas na história do Triângulo das Bermudas.

No dia 5 de dezembro de 1945 uma esquadrilha de cinco Grumman TBF Avenger deixou a base aérea de Fort Lauderdale. Cada avião conduzia três homens (um piloto, um radioperador e um artilheiro), com exceção de uma aeronave (que conduzia apenas um piloto e um artilheiro), de modo que 14 homens desapareceram. O Capitão conseguiu se comunicar com a base e dizer que eles estavam perdidos, a base pediu que verificassem a bussola e o capitão disse que a bussola não estava funcionando.



A base aérea mandou um hidroavião atrás dos 5 aviões, mas ele precisou voltar à base pois o rádio estava com problemas. Então a base mandou outro hidroavião, com treze tripulantes, que acabou desaparecendo junto com os outros cinco!

Até hoje não se tem informações ou qualquer outro fato sobre o Voo 19.

Possíveis Explicações sobre o local

O que causa tantos desaparecimentos no local? Ninguém sabe ao certo e existem diversas teorias que tentam desvendar o mistério. Algumas pendem mais para o lado sobrenatural, outras são mais são mais científicas. O grande problema é que as teorias explicam o desaparecimento de navios, mas poucas conseguem explicar o desaparecimento de aviões.

Restos de Atlântida

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Piramides supostamente descobertas no fundo do Triângulo das Bermudas

Para Charles Berlitz, o local é um subproduto da destruição de Atlântida. Em 2012 cientistas canadenses descobriram uma cidade submersa no Triângulo das Bermudas, e um robô submarino tirou as fotografias das ruínas de edifícios, quatro pirâmides gigantes e um objeto parecido com estátua de uma esfinge. Só que para os especialistas não é Atlântida, mas uma cidade que pertenceu ao período pré-clássico do Caribe e da história da América Central.

Porém, o sonar GPSMAP 520 que foi usado na expedição é de baixa resolução, e interpola as dimensões na mesma altura, com linhas retas, quando na verdade, elas são curvas. Na área ao redor da pirâmide, as linhas não são retas, mas, por causa da tela do sonar, tem-se a impressão de que haveria uma construção lá embaixo d’água.

No dia 16 de outubro de 2013, a mesma emissora de TV portuguesa (a RTP) publicou uma matéria com o comandante da Marinha portuguesa Pires da Cunha, afirmando que depois de cruzar os dados relatados por Diocleciano com mapas do fundo do mar do Exército de Portugal (atualizado em 2009), descobriu que a suposta pirâmide é apenas uma formação de montanhas.

O local seria uma Distorção física

Há lugares na Terra onde as leis da física parecem ser distorcidas, e a realidade algumas vezes se comporta de maneiras não familiares, criando efeitos fantasmagóricos.

Extraterrestres

Escritores atribuíram os eventos aos OVNIs, que raptariam os aviões e navios e os levariam em suas naves. Essa ideia foi usada por Steven Spielberg em seu filme de ficção científica Contatos Imediatos de Terceiro Grau, que mostra os tripulantes do voo 19 como humanos abduzidos.

Nuvem Eletrônica

Essa teoria em especial esclarece o que pode estar fazendo os aviões desaparecerem. No livro “The Fog: A Never Before Published Theory of the Bermuda Triangle Phenomenon” (“A Neblina: uma teoria jamais publicada sobre o fenômeno do Triângulo das Bermudas”), de autoria de Rob MacGregor e Bruce Gernon, eles contam um relato acontecido com eles. Em 4 de dezembro de 1970, Gernon e seu pai voavam para Bimini em um céu claro quando viram uma nuvem estranha com extremidades quase que perfeitamente arredondadas pairando sobre a costa da Flórida, nuvem esta que eles chamaram de “neblina eletrônica”. E conforme voaram sobre ela, a nuvem começou a se espalhar, igualando ou até ultrapassando a velocidade deles. A 3.505 metros de altura, acharam que haviam escapado da “nuvem”, mas acabaram descobrindo que ela havia formado um túnel, e a única possibilidade de fuga parecia ser passar por esse túnel. E quando estavam lá dentro, viram linhas nas paredes que giravam no sentido anti-horário, os instrumentos de navegação ficaram descontrolados e a bússola também passou a girar no sentido anti-horário.

O interessante é que Gernon passou por essa experiência mais uma vez enquanto voava com sua mulher e, muitos outros pilotos também tiveram experiências semelhantes ao sobrevoar a área.

Falha Humana

Em todos os locais e áreas, ocorrem acidentes causados por falha humana, e nessa região não seria diferente. O problema é dizer que todos os desaparecimentos foram causados por falha humana.

As próprias características do Local

A região do Triângulo das Bermudas tem características peculiares. A corrente marítima de água quente do Golfo, que passa pelo local, tem forte influência no Oceano Atlântico. Uma de suas maiores interferências é no clima, criando frequentes instabilidades, principalmente no Sul dos Estados Unidos e países do Caribe e América Central. Furacões e tempestades são registrados com regularidade naquela área de águas tropicais.

A região do Triângulo das Bermudas também é conhecida por ali se encontrar, mais que em outras partes do mundo, cavernas submarinas que se interligam, ocasionando alterações marítimas diversas. Tais características peculiares criam no Triângulo das Bermudas um ambiente um tanto atípico para navegação e tráfego aéreo.

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Gás Metano

É uma das teorias mais aceitas até o momento. O metano, formado após intensa atividade vulcânica submarina, está normalmente contido no interior das rochas, sob a alta pressão oceânica. Mas pode soltar-se naturalmente. Lembro que assisti um documentário de 90 minutos sobre essa teoria. Ele mostrava em escala um navio em um tanque e então soltavam uma bolha de gás logo abaixo dele. Não dava nem tempo de piscar os olhos e o barco já estava embaixo da água!

Um trabalho sobre essa teoria foi apresentado pelo professor Joseph Monaghan e seu pupilo David May, da Universidade Monash de Melbourne, Austrália, publicado no American Journal of Physics.

Só que essa teoria é refutada por muita gente, pois eles dizem que se uma bolha grande o suficiente fosse liberada no fundo do oceano, a bolha se romperia devido à grande pressão da água, e se converteria em várias bolhas menores antes de alcançar a superfície. Ao emergir, essas bolhas formariam uma grande turbulência, mas não tanta a ponto de pôr em perigo a sustentabilidade do barco.

Assista abaixo um documentário da National Geographic para mais detalhes:

Fonte: assombrado